Você já imaginou que um dia a fachada do seu prédio amanhece com a cara da Rainha da Inglaterra? Ou tampar as manchas de umidade com os penetrantes olhos do Albert Einstein? Ao contrário do que possa parecer, o grafite não é um fenômeno recente: alguns datam sua origem no Antigo Egito, outros se inclinam por apontar aos tempos do Império Romano e existem firmes evidências de que Jack, o Estripador foi um dos grafiteiros mais famosos da história, claro que ele preferia estampar sua arte com sangue em vez de tinta spray. Trazemos hoje uma demonstração de algumas das pinturas de rua mais espetaculares, genuínas e honestas do mundo.

#1 Kobra, explosão de cor caleidoscópico

Eduardo Kobra é, com a permissão de Banksy, o artista urbano que mais impacto causou ao longo dos anos. Seus imensos e coloridos murais mostram imagens de personagens históricas representados de forma fotorrealista e através de triângulos e quadrados, criando uma portentosa sensação de caleidoscópio. Sua obra, num ponto entre a nostalgia e a esperança, antes que qualquer coisa é humanista e inspiradora. Os olhos que o Kobra pinta, olham de verdade.

Via: Eduardo Kobra

#2 Banksy, o homem mais procurado

Rebelde e revolucionário, ele é o responsável da popularização do movimento de rua. Sua desconhecida identidade deu pé a uma multitude de especulações, suas obras são expostas em museus e são vendidas por milhões sem o seu consentimento e é, juntamente a Bill Murray, a pessoa mais cool do planeta. Para fazer uma ideia do peso de Banksy, basta assinalar que os responsáveis pelo Os Simpsons pediram para ele preparar uma abertura  inteira. Talvez não seja o artista urbano mais impressionante, mas a sua marca é a mais profunda.

Via: Banksy.co.uk, Vogue, Hummusnotwalls e Parkohwell

#3 Natalia Rak, fantasia onírica e contos de fadas

Natalia Rak é uma artista polonesa que não entende de suportes: seu traço é igual de sugestivo tanto na tela como sobre o tijolo. Sua visão onírica da feminilidade, o emprego da cor e suas pinceladas surrealistas fazem dos murais de Rat algo enormemente belo de observar. Te toca? Sim, isso também é coisa da Natalia Rak.

Via: Natalia Rak e 100 grados

#4 Hopare, a força do contraste

Alexandre Monteira, mais conhecido como Hopare, é um artista francês que serve-se de linhas e cores para, num esbanjamento de força e expressividade realizar retratos de tintas cósmicos e sonhadores. Entre a arte figurativa e a abstrata, os desenhos de Hopare convertem o cinza industrial das cidades num lençol de beleza dramática.

Via: Street Art Utopia

#5 Seth, o secreto mundo das crianças

“Pintor, viajante e um pouco jornalista”. Assim se autodefine o artista francês Julian Malland, que pegou sua alcunha de um escuro deus egípcio. Influenciado pelo legendário artista de revista em quadrinhos Jean Giraud (Moebius), Seth acredita que sua arte é pública em vez de urbana. Portas ao país dos sonhos, nuvens de arco-íris em mundos cinzas e crianças tristes são a sua resposta à seriedade do universo.

Via: Vandablog, Odd Stuff Magazine e Flickr

#6 Edgar Mueller, o abismo em 3D

Conhecido como o ilusionista vertiginoso, o alemão Edgar Mueller está desde os 25 anos viajando pelo mundo com seus gizes nas costas realizando no chão cópias perfeitas dos grandes mestres. Mesmo que seus ateliês itinerantes são uma comparecência obrigatória para os amantes das Belas Artes, o que realmente fez com que Mueller ficasse famoso foram suas representações naturais do abismo. Precipícios, cachoeiras, cavernas e qualquer buraco capaz de trazer a tona as nossas emoções mais tridimensionais.

Via: Flickr, Momentos inspirados e Metamorph

#7 David Walker, sombras de cores

O primeiro contato de David Walker com o mundo do trabalho foi o que qualquer um qualificaria como o típico trabalho de Verão: desenhar umas camisetas para a banda The Prodigy. Algo normal para ser o primeiro trabalho. Começou com sóbrios retratos em preto e branco até que descobriu a lírica do caos a toda cor. Este virtuoso do spray- não usa pinceis, nem sequer sobre tela- garante que vive imerso numa permanente busca da beleza perfeita. Com certeza muitos acreditam que ele já encontrou.

Via: Full of taste, Street Art London e Street Art News

#8 JR, o fotógrafo da alma

Batizado como “o Cartier-Bresson do século XXI”, JR é um fotógrafo de identidade desconhecida que expõe o seu trabalho na rua, para ele “a maior galeria de arte do planeta”. Com uma visão e um compromisso inquebrantáveis, JR emprega os olhos como entrada ao mais profundo do ser humano. Sua desaforada humanidade e uma ambição sem limites são as únicas ferramentas que ele precisa para cumprir o objetivo que se propôs: mudar o mundo.

Via: Void Mirror, Infobae e Gawker

# 9 Os gêmeos, a identidade urbana da América Latina

Não existe nenhum país tão excitante como o Brasil no que se refere à arte urbana. Provenientes do break-dance e da cultura hip-hop, os irmãos idênticos Os Gêmeos foram uma peça fundamental na hora de construir a identidade artística do país. Muita coragem e vastas quantidades de talento eram exigidos para pintar bonecos amarelos sem ser acusado de estar copiando a família mais famosa dos Estados Unidos. Sua missão: refletir a sociedade latino-americana com muito flow.

Via: New York Times, Upperplayground e Memorial

#10 Blu, a brincadeira cinza

Blu é um jovem italiano que utiliza a pintura de casas para reinterpretar o espaço arquitetônico e falar diretamente à sociedade urbana e industrial. Seu estilo serve-se do surrealismo, feísmo e da cultura pop, embora o que o torne distinto do resto do cenário é o seu sarcasmo ácido e o seu pessimismo crônico. A única coisa sabida dele é que foi criado pintando as paredes da Bolonha.

Via: Graffart, Visual Trips, Street Art Berlin e AndBerlin

#11 Phlegm, onde os monstros moram

Talvez o único criador da lista que não provém estritamente do grafite, mas sim do gibi. Phlegm é um desenhador e ilustrador que se apaixonou pela arte urbana ao entender que pintando nas ruas sua obra passaria a formar parte da vida das pessoas e que essa era a melhor forma de influir na sociedade, coisa que não pode ser feita desde uma extravagante galeria de arte. Seus bestiários e engrenagens são toda uma oda à fantasia e ao trabalho em equipe, além de uma celebração da diferença que emocionaria a Tim Burton. Dois polegares levantados por Phlegm.

Via: Phlegm Comic News, Twisted Fister e Egomonster

#12 Vhils, as fendas do tempo

Martelo, cinzel e broca são os meios utilizados pelo português Vhils, o que uma vez foi rejeitado pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa e que agora está consolidado como um dos artistas urbanos mais importantes do mundo. Não são apenas os especialistas os que acreditam que ele é dos melhores, senão que ele é o preferido da banda irlandesa U2, cujos integrantes solicitaram ao artista que dirigisse seu último vídeo clipe. Alexandre Farto-seu verdadeiro mome- emprega aquilo que a cidade jogou fora para formar seus ásperos retratos, que ao mesmo tempo servem como metáfora da passagem do tempo e como este afeta à degradação das urbes, talvez o grande tema da obra de Vhils. Os rostos que esculpe na pedra envelhecem ao mesmo tempo que a cidade.

Via: Wooster Collective, Museografo, Woolfest e Making art happen

#13 Keith Haring, da parede ao museu

Quando falamos de Keith Haring nos referimos a um TITÃ do século XX e o pai da expressão gráfica de rua. É o homem que levou o pop às ruas e o primeiro que usou os muros para falar do sexo, da morte, das drogas e da AIDS. Durante boa parte dos anos 80 e 90 esteve em todas partes: camisetas, televisão, latas de Coca-Cola, carteiras de cigarro… chegou a pintar um pedaço do muro de Berlim e Banksy  reconheceu sua influência numa das suas obras mais conhecidas. Haring foi o ativista que democratizou a arte e uma das pessoas que melhor captaram o momentum da sua época. Uma figura imprescindível para entender a cultura urbana, a arte contemporânea e a década dos 80.

Via: Eklablog, Rocket Magazine, Huffington Post e Andrea Huesch